segunda-feira, 18 de julho de 2016

Vem aí 2º Retiro Diocesano de Animação Vocacional!

ARTIGO: Coração livre, coração comprometido: Vocação, gratuidade, discernimento e anúncio.

A vocação não é realidade abstrata, tampouco platônica, mas acontece na história de cada homem dentro de um contexto histórico e social.


     O primeiro e mais fundamental chamado que Deus faz ao homem é, sem dúvida, o chamado à existência. A vocação é, portanto, uma criação e um grande chamado à vida. Deus é quem toma a iniciativa de chamar. Ele entra em diálogo com a pessoa, chamando-a para a vida, convidando-a ao serviço, à doação, à entrega. No entanto, mesmo chamando, Deus não dispensa a participação da pessoa. Ele quer que a pessoa responda ao seu chamado de maneira livre e consciente.
    A grande mediação sacramental presente no processo vocacional é o amor. Para se responder ao chamado de Deus é preciso amar de maneira livre. Santo Agostinho já dizia “Ame e faça o que quiseres”. Se a vocação humana é o chamado para entrar em comunhão com o Deus-Trindade, então ela não é possível quando não se ama de maneira incondicional.
    Nesse sentido, a vocação não é realidade abstrata, tampouco platônica, mas acontece na história de cada homem dentro de um contexto histórico e social. Deus chama a partir da comunidade, povo missionário, a caminho. A pessoa só se realiza quando se sente responsável pelo que acontece com as pessoas que estão ao seu redor. Nessa perspectiva, cultivar a dimensão humana da vocação é anunciar uma visão cristã da vida. Logo, a Pastoral Vocacional, enquanto ação da Igreja tem por objetivo desenvolver um trabalho que propicie à comunidade a criação de uma concepção vocacional, que perpasse toda a ação missionária e evangelizadora. O serviço vocacional mira o sentido comunitário, dando continuidade à missão de Jesus.
A Pastoral Vocacional trabalha com as vocações em sua universalidade, ou seja, tem por missão trabalhar a dimensão vocacional no âmbito da comunidade, desenvolvendo uma cultura vocacional, que tem por intuito despertar na comunidade a consciência de que ela é vocacionada e vocacionadora. Trabalhar as vocações e atingir todos os membros da comunidade é o objetivo da animação vocacional, pois “a Pastoral Vocacional exige ser assumida com novo, vigoroso e mais decidido compromisso por parte de todos os membros da Igreja” (Exortação Apostólica Pastore Dabo Vobis, de João Paulo II sobre a formação dos sacerdotes, nº 34).
     Nesse sentido, a Conferência de Aparecida faz um chamado urgente a todos os cristãos, especialmente aos jovens, para que estejam abertos a um possível chamado de Deus, seja na vida sacerdotal, religiosa ou matrimonial (cf. D. Ap., nº 315). O Documento também chama a atenção para a gratuidade da vocação, pois “as vocações são dom de Deus; portanto, em cada diocese não devem faltar orações especiais ao Dono da Messe” (D. Ap., 314). São João Maria Vianney afirmava que “esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar”, principalmente quando suplicando amamos e incentivamos as vocações comprometidas com a missão de anunciar o Evangelho da justiça e do amor.
     A Pastoral Vocacional, portanto, não é responsabilidade apenas de uma única pastoral ou de algumas pessoas, mas sim de toda a comunidade, começando pela família, igreja doméstica, e, em seguida, atingindo todos os membros da comunidade, propiciando a todos, momentos de oração, escuta e discernimento acerca do projeto de Deus e do sentido da vida. Logo, para animar e promover as vocações, é necessária a ação viva, contínua e ardorosa da Pastoral Vocacional em cada comunidade da diocese (cf. Diretrizes Doc. 102, 106). O sacerdote, responsável pela comunidade, deve ser o primeiro animador vocacional da comunidade; e junto com ele a equipe promoverá a oração pelas vocações, a coordenação e a organização da ação missionária e vocacional em todo o itinerário vocacional (despertar, discernir, cultivar e acompanhar as vocações).
     Papa Francisco afirma que “nenhuma vocação nasce para si ou vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”. A vocação não pertence à pessoa, e sim à Igreja. Por isso, o Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, coração vocacional da Diocese de Guarapuava, dá inicio aos trabalhos vocacionais com a REAVIVE – Rede Diocesana de Animação Vocacional. A REAVIVE é um projeto cujo objetivo é criar uma rede de pessoas em sintonia para fomentar a animação vocacional além de promover encontros com os coordenadores de coroinhas, catequistas da Perseverança, Zeladores de Capelinhas e grupos (movimentos) de jovens com o intuito de despertar a consciência vocacional e apresentar-lhes um itinerário vocacional.
     A REAVIVE, em consonância com o que a nossa Igreja orienta e com o desejo de promover uma cultura vocacional, realiza nos dias 05, 06 e 07 de agosto o II Retiro Diocesano de Animação Vocacional, em Guarapuava. O retiro é destinado aos Coordenadores e Zeladores de Capelinhas, Coordenadores de Catequese e Coordenadores de Coroinhas das 47 paróquias de nossa Diocese; e tem como tema “Vocação: Dom da Misericórdia Divina”.
     A nossa intenção é nos reunirmos para convivermos, refletirmos e rezarmos pelas vocações, a fim de sermos misericordiosos como o Pai. Queremos caminhar juntos e formar a Igreja viva, disponível e em constante saída, que vai ao encontro dos irmãos, revelando o rosto misericordioso do Pai, que é amor e misericórdia. E a misericórdia nada mais é do que serenidade e paz.

Por: Nicolas Thanrique
Seminarista Diocesano e Secretário da REAVIVE.


Post: Luana Cordeiro

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